Sequestro de carbono nas florestas: no dia 21 de março, entenda como funciona e por que é essencial para o clima
No Dia Internacional das Florestas, celebrado em 21 de março, o olhar se volta para um dos sistemas naturais mais complexos e estratégicos do planeta: as florestas. Muito além da paisagem, elas exercem um papel direto na regulação climática, especialmente por meio do sequestro de carbono, um dos principais serviços ecossistêmicos em escala global.
Esse processo está diretamente ligado à fotossíntese. Durante esse processo, as florestas absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera, enquanto suas raízes captam água do solo. Com a energia da luz solar, esses elementos são transformados em matéria orgânica que sustenta o crescimento da biomassa, liberando oxigênio (O₂) de volta para a atmosfera.
Na prática, isso significa que o carbono retirado do ar passa a ser armazenado na estrutura das plantas, nos troncos, galhos, folhas e raízes, formando estoques que podem permanecer por décadas ou até séculos.
Esse processo natural, conhecido como sequestro de carbono, é fundamental para mitigar as mudanças climáticas, já que reduz a concentração de CO₂ na atmosfera, um dos principais gases de efeito estufa.
Estimativas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) indicam que as florestas absorvem cerca de 7,6 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, o que corresponde a aproximadamente um terço das emissões globais provenientes de combustíveis fósseis.
A capacidade de sequestro, no entanto, varia conforme fatores ecológicos e ambientais, como tipo de vegetação, estágio de desenvolvimento, clima e condições do solo. Florestas tropicais, como as brasileiras, apresentam altas taxas de captura de carbono devido ao rápido crescimento da biomassa.
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change aponta que florestas secundárias tropicais podem remover até 3,05 toneladas de carbono por hectare por ano durante suas fases iniciais de regeneração.
Por outro lado, florestas maduras desempenham um papel igualmente estratégico: são responsáveis por manter grandes estoques de carbono já acumulados ao longo do tempo. Esse equilíbrio, no entanto, é altamente sensível.
Segundo o World Resources Institute, o desmatamento e a degradação florestal são responsáveis por cerca de 10% a 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, justamente pela liberação do carbono armazenado na vegetação e no solo.
Ou seja, áreas que antes funcionavam como sumidouros de carbono passam a atuar como fontes emissoras. É por isso que, no contexto das mudanças climáticas, conservar florestas é tão estratégico quanto reduzir emissões.
Além disso, iniciativas como restauração ecológica, reflorestamento e manejo sustentável têm sido incorporadas a políticas públicas e projetos privados, inclusive em programas de crédito de carbono, que dependem diretamente da quantificação e monitoramento desses estoques.
Nesse cenário, o licenciamento ambiental assume um papel técnico fundamental. É por meio dele que se avaliam impactos, se estabelecem condicionantes e se garante que o desenvolvimento considere, de forma integrada, a dinâmica dos ecossistemas, incluindo sua capacidade de estocar carbono.
Mais do que um conceito ambiental, o sequestro de carbono evidencia uma lógica essencial: a de que sistemas naturais, quando compreendidos e respeitados, são parte ativa das soluções climáticas.
Neste Dia Internacional das Florestas, a reflexão propõe reconhecer o valor estratégico das florestas em um cenário onde cada decisão sobre o território interfere diretamente no equilíbrio do clima.
Projetos que envolvem áreas naturais exigem análise técnica e visão estratégica. A Ecolibra atua no licenciamento ambiental considerando a dinâmica dos ecossistemas, o papel das florestas na regulação do clima e no sequestro de carbono, contribuindo para decisões mais seguras, responsáveis, alinhadas às exigências ambientais, às boas práticas de sustentabilidade corporativa e à gestão eficiente de riscos ambientais em diferentes setores e contextos produtivos atuais.
Fontes consultadas:
Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC): https://www.ipcc.ch/srccl/
Nature Climate Change: https://www.nature.com/articles/s41558-019-0500-5
World Resources Institute (WRI): https://research.wri.org/gfr/forest-extent-indicators/forest-loss