Dia da Mata Atlântica: desmatamento registra menor índice em 40 anos
O Dia da Mata Atlântica, celebrado em 27 de maio, chegou em 2026 com uma notícia para comemorar. O desmatamento da Mata Atlântica atingiu o menor patamar desde o início do monitoramento contínuo, há 40 anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela Fundação SOS Mata Atlântica.
Os dados compõem o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica: o estudo de referência para o monitoramento da supressão florestal no bioma. Produzido em parceria pelo INPE e pela Fundação SOS Mata Atlântica, ele acompanha os fragmentos mais preservados do bioma com área superior a três hectares, as chamadas florestas maduras, que concentram os maiores estoques de biodiversidade e de carbono.
Os dados do período 2024-2025 registraram supressão de 8.668 hectares de florestas maduras. O resultado representa uma queda de 40% em relação ao período anterior, quando o desmatamento havia atingido 14.366 hectares.
O dado carrega um marco histórico, pois pela primeira vez em 40 anos de monitoramento contínuo, o desmatamento anual em florestas maduras ficou abaixo de 10 mil hectares.
O que ainda está em jogo
Apesar do avanço, o cenário exige perspectiva. A Mata Atlântica perdeu ao longo dos séculos a maior parte de sua cobertura original. Hoje, restam cerca de 24% da área original do bioma, dos quais apenas 12,4% correspondem às florestas maduras monitoradas pelo Atlas.
O bioma ocupa 15% do território brasileiro e está presente em 3.429 municípios e 17 estados. É responsável por aproximadamente 80% da economia nacional e abriga quase 70% da população do Brasil. A Mata Atlântica tem serviços ecossistêmicos indispensáveis: regulação hídrica, controle climático, proteção do solo e conservação da biodiversidade.
Ela também é considerada um dos 5 principais hotspots de biodiversidade do planeta, com mais de 20 mil espécies registradas, sendo 6 mil endêmicas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do mundo.
Desmatamento da Mata Atlântica: uma trajetória de recuperação lenta
A queda registrada não é isolada. O Atlas aponta uma trajetória consistente de desaceleração do desmatamento da Mata Atlântica ao longo dos anos. Na década de 1990, o bioma perdia cerca de 100 mil hectares por ano. Em 2000, esse número ainda estava próximo de 90 mil hectares anuais. Em 2018, havia caído para 11.400 hectares.
O levantamento do Atlas é complementar ao monitoramento realizado pelo Prodes, também desenvolvido pelo INPE no âmbito do Programa BiomasBR, que mapeia sistematicamente toda a supressão de vegetação nativa no limite do bioma, incluindo áreas desmatadas maiores que um hectare.
A integração das duas iniciativas amplia o conhecimento sobre a dinâmica de transformação da Mata Atlântica e orienta políticas públicas de conservação.
Dia da Mata Atlântica e o que a data representa
O 27 de maio foi instituído como Dia da Mata Atlântica para lembrar que esse bioma, apesar de circundar as maiores cidades do Brasil, ainda é um dos mais devastados e menos protegidos do planeta.
Com apenas 24% de cobertura remanescente, a Mata Atlântica segue abaixo do limite mínimo de 30% considerado necessário para a conservação do bioma em longo prazo.
Celebrar o Dia da Mata Atlântica com um dado histórico positivo é raro. E é também um convite para entender o que tornou essa recuperação possível, e o que ainda precisa acontecer para que ela seja irreversível.
Em Santa Catarina, a cobertura florestal nativa já ocupa cerca de 30% do território e apresenta crescimento de 2% ao ano, com saldo positivo de novas árvores por hectare em medições consecutivas.
Licenciamento ambiental e a conservação da Mata Atlântica
A trajetória de recuperação da Mata Atlântica não acontece por acaso. Ela é resultado de um conjunto de instrumentos legais, do engajamento da sociedade civil e, em grande medida, do cumprimento da legislação ambiental por parte dos empreendimentos.
A Lei da Mata Atlântica (Lei Federal 11.428/2006) define regras claras para a supressão de vegetação nativa no bioma e estabelece condicionantes para o licenciamento de atividades que possam impactar áreas de floresta.
Para construções, parcelamentos do solo, atividades industriais, de saneamento e qualquer empreendimento localizado no domínio da Mata Atlântica, o cumprimento da legislação ambiental é necessário para operar com segurança e conformidade legal.
A Ecolibra atua há mais de 18 anos no licenciamento ambiental de empreendimentos em Santa Catarina e em todo o território nacional, com expertise em projetos localizados em áreas de Mata Atlântica.
Nossa equipe realiza o diagnóstico da vegetação, conduz os estudos ambientais exigidos pelos órgãos licenciadores e acompanha todo o processo. Se o seu projeto está localizado em área de Mata Atlântica e você precisa entender o que a legislação exige, entre em contato com a Ecolibra.
Fontes: Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2024-2025 (INPE/Fundação SOS Mata Atlântica); Folheto SOS Mata Atlântica (Fundação SOS Mata Atlântica, 2023); FIESC/Estudos UFSC.