agosto 27, 2026

Sebastião Salgado: Lições sobre Recuperação de Área Degradada

Sebastião Salgado recuperação de área degradada, vista aérea da Mata Atlântica restaurada na Fazenda Bulcão.
Área da Fazenda Bulcão, em Aimorés (MG), hoje reconhecida como RPPN. Foto: Divulgação/Instituto Terra

Sebastião Salgado ficou conhecido no mundo todo como fotógrafo, mas deixou também um caso real de recuperação de área degradada que vale como referência técnica: o da Fazenda Bulcão, em Aimorés, Minas Gerais.

O ponto de partida: a fazenda de Sebastião Salgado

A propriedade pertencia à família do fotógrafo. Décadas de pastagem tinham destruído a vegetação nativa da região e secado boa parte das nascentes locais. O solo já não sustentava nem pasto de forma consistente.

Em 1998, Sebastião Salgado e a esposa, Lélia Wanick, precisaram decidir o que fazer com aquela área. Diante da baixa produtividade, optaram por investir em restauração ecológica em vez de manter o uso anterior.

Sebastião Salgado e sua esposa, Lélia Wanick. Foto: Divulgação Instituto Terra.

Como Sebastião Salgado recuperou a área degradada na prática

Realizar a recuperação de área degradada segue uma lógica técnica específica, não depende só de plantar árvores ao acaso. No caso conduzido por Sebastião Salgado, o processo envolveu diagnóstico do solo, para entender o nível de degradação e o potencial de regeneração natural da área, escolha de espécies nativas adequadas para cada trecho, considerando o bioma e o tipo de solo, e um método específico para recuperar nascentes secas, que consiste em cercar a área ao redor da fonte de água até a vegetação nativa voltar a segurar o solo e a umidade.

Esse processo levou quase três décadas. Segundo dados divulgados pelo Instituto Terra, organização criada a partir dessa iniciativa, a área já recuperou mais de 2,3 mil hectares de Mata Atlântica, com mais de 3 milhões de árvores nativas plantadas. Espécies que tinham desaparecido da região, como a onça-pintada, voltaram a ser registradas ali.

De área degradada a RPPN: o que isso significa na prática

A área recuperada por Sebastião Salgado conquistou o status de Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN. Essa categoria de unidade de conservação é criada por iniciativa do próprio proprietário e garante proteção legal permanente para a área, mesmo que o imóvel mude de dono no futuro.

Para quem lida com propriedade rural ou empreendimento que gera passivo ambiental, esse detalhe importa bastante. Uma RPPN pode contar como Reserva Legal, servir de referência em processos de compensação ambiental e reduzir o risco de autuação por manter área degradada sem destinação.

Por que uma área degradada parada pode virar um problema de negócio

Manter uma área degradada sem regularização não é só uma questão ambiental, é também um risco jurídico e financeiro. Ela pode gerar exigência de recuperação em processos de licenciamento, comprometer a aprovação de novos empreendimentos na mesma propriedade e resultar em multa quando identificada por órgão fiscalizador.

Esse tipo de exigência ganhou ainda mais peso com a Lei Geral de Licenciamento Ambiental (LGLA), em vigor desde fevereiro de 2026, que reorganizou as modalidades de licença e reforçou a necessidade de regularização de passivos ambientais antes da aprovação de novos empreendimentos. Na prática, isso significa que uma área degradada sem destinação técnica definida tende a pesar mais no processo de licenciamento do que pesava antes da nova lei.

O caso de Sebastião Salgado mostra o caminho inverso: uma área sem uso produtivo virou ativo ambiental reconhecido legalmente, com valor tanto de conservação quanto de compensação. Sebastião nos deixou em 2025, mas a floresta que começou a recuperar segue em pé, com monitoramento técnico contínuo mantido pelo Instituto Terra.

Quando buscar apoio técnico para recuperação de área degradada

Cada propriedade tem um nível diferente de degradação, um bioma diferente e uma exigência legal diferente pela frente. Por isso, o primeiro passo antes de qualquer plantio é um diagnóstico técnico da área, que aponta se ela pode virar Reserva Legal, APP regularizada ou até uma RPPN, como fez Sebastião Salgado.

A Ecolibra trabalha com esse tipo de caso: diagnóstico de área degradada, plano de restauração ecológica e regularização de RPPN, Reserva Legal e APP.

Se sua empresa ou propriedade tem uma área degradada parada, fale com nosso time e entenda quais opções técnicas existem para ela.

Instituto Terra.

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